Imagine a seguinte situação:
Seu chefe chama você para uma conversa daqui a 30 minutos, sem citar o assunto.
Você revê se há alguma tarefa pendente ou algum relatório para entregar. Como está tudo certo, você permanece intrigado com o objetivo da reunião.
Você chega no horário marcado, ele te convida a sentar e oferece um café da Nespresso. Você escolhe um ristreto, sem açúcar.
Ele serve o café e pergunta como vão as coisas, se está tudo bem…
Você responde que sim, está tudo bem.
Ele começa a elogiar seu trabalho, dizer sobre seu comprometimento, sobre sua carreira na empresa, mas…
– Pois é, infelizmente a empresa não precisa mais dos seus serviços. Ele diz, assim, de repente.
Você fica confuso, pergunta as razões, argumenta sobre seu desempenho, suas entregas e sobre seu empenho na execução das tarefas.
Ele diz que é uma decisão da empresa e que sente muito fazer seu desligamento, mas é preciso.
Normalmente é assim que os gestores começam a difícil conversa da demissão.
Claro que a conversa pode ser conduzida dessa maneira, mas o roteiro serve apenas para que você, enquanto gestor, torne o momento menos desconfortável para você mesmo.
A percepção que fica para quem está sendo demitido é de um discurso vazio e sem sentido e aumenta a perplexidade e acrescenta uma certa dose de raiva.
– Se eu sou tão bom assim, por que estou sendo demitido? Ele pensa.
Ainda que seja necessário conduzir essa conversa com cuidado e respeito humano, penso que o roteiro deve ser diferente.
Depois do momento do café, vá direto ao ponto:
– Chamei você aqui para comunicar seu desligamento.
Assuma a responsabilidade pessoal e não jogue para a empresa:
– Essa é uma decisão minha e tomei pelos seguintes motivos…
Seja objetivo quanto às razões. Se você vem praticando o feedback, provavelmente terá todos os argumentos possíveis.
Não fique dando explicações ou justificativas demais, pois a partir da informação da demissão o outro não está ouvindo mais nada. Está processando o momento.
Faça um pouco de silencio e espere o outro fazer perguntas sobre os motivos ou sobre algum tipo de benefício adicional aos seus “direitos”.
Caso ele não pergunte nada naquele momento de silêncio, aí sim você pode dar continuidade à conversa, com mais informações sobre o processo de desligamento e menos sobre motivos.
Lembre-se de que em situações como essa, “menos é mais”.
Respeite o momento do outro e não fique dando explicações que apenas servem para você aliviar esse momento difícil e pouco servem para o outro entender as razões.
Eu já passei por situações como essa, como gestor e como demitido, e posso garantir que ao conduzir com assertividade, clareza e respeito, o momento será um pouco menos difícil de ser enfrentado e digerido, para ambos.
Faz sentido pra você esse “formato” que proponho aqui?
